Histórias que marcaram Orleans: Jaci Zomer

0
Slider

Em 1952 no interior de Orleans, localidade de Serraria, nascia o Sr. Jaci Zomer, bisneto de imigrantes italianos e que hoje, aos 67 anos, tem muito para contar sobre a sua história e trajetória relacionada ao município que é conhecido como a “Cidade das Colinas. 

História

Jaci Zomer, filho de Jacinto Zomer e Dozolina Comper Zomer, possui quatro irmãos e cinco irmãs, atualmente ele vive na comunidade de Serraria, mesma propriedade que pertence a sua família há cerca de 140 anos. Ele nos conta que o primeiro a “firmar o pé” aqui foi o seu nono Narciso, que havia chego da Itália.

 

Infância

Viveu toda sua infância no município de Orleans, e quando perguntamos sobre suas recordações ele nos conta histórias como se estivesse às tirando de um “baú” que carrega consigo.

“Foi uma infância maravilhosa, morávamos em uma casa bem modesta, sem pinturas, com frestas, essa foi a realidade da vida de muitas famílias antigas de Orleans. A situação era difícil, mas os pais nunca deixavam faltar alimento em casa.”

Ele explica que naquela época, era comum começar a trabalhar desde muito pequeno, e recorda que aos sete anos, ia junto para a roça para pegar o boi no meio do pasto, buscar água na fonte, puxar boi pra lavrar, dentre tantas outras atividades.

“Tive uma infância de coloninho.”

Em nossa conversa, ele conta que sua mãe sempre dizia que aos dois anos de idade ele havia passado por uma queda do carro de boi, que acarretou sérios problemas em suas costas, passando um ano entre casa e hospital, e que saia inúmeras inflamações em seu corpo.

“Minha mãe sempre contava que ela já havia me ‘dado como perdido’.”

Ele afirma que teve sua vida salva por um grande médico que marcou história no município, o Sr. Dr. Emir Bortoluzzi Souza (in memoriam), que com todo seu conhecimento acalmou sua mãe e o curou através da medicina.

“Dr. Emir Bortoluzzi Souza, atendia as pessoas com uma atenção e generosidade que nunca sairá do meu pensamento.”

Naquela época se plantava de tudo o que era necessário para o consumo, porém a principal lavoura era a mandioca que servia para vender para as antigas fecularias de Orleans que produziam a farinha de mandioca.

 

Educação

“Fiz o ensino básico na escolinha da Serraria aqui em Orleans, depois de terminar os trabalhos na roça, ia sozinho para a escola Costa Carneiro no centro da cidade para cursar o ginásio”. Ingressei na faculdade de administração depois dos 30 anos, completando cinco semestres, como na época trabalhava em supermercado e não tínhamos a mesma realidade de estudo à distância como hoje, então tudo era um pouco mais complicado e acabei por não concluir a faculdade.”

Aos 15 anos ele deixou a casa dos pais para trabalhar e estudar na cidade, onde morou e trabalhou por ‘cama e comida’, com as famílias de Vitório Longo e de Antonio Zomer, no antigo Comércio de Secos e Molhados.

“Serei eternamente grato à estas duas famílias que me trataram e acolheram como filho.”

“Meus tempos de ginásio relembro com saudades de professores como Dr. Nilton Luiz Pizzolate, Dona Olinda Hamerschmidt, Dona Leopoldina Dalssasso Geremias, com quem ainda tenho o prazer de vez por outra encontrar e dar um abraço aqui em Orleans.”

 

Religião

Católicos, o seu Jaci conta que todos os domingos a família vinha a pé da Serraria para ir à Igreja Matriz.

“Nunca deixei de frequentar a igreja que sempre foi ensinada pelos meus pais. Fui coroinha, fui seminarista, minha mãe ensinou o caminho da igreja desde o colo, a mesma religião que veio dos pais dela.”

Perguntei ao seu Jaci qual foi o Padre que mais o marcou ele cita o Padre Santos Spricigo, que era aquele padre que se obedecia como se fosse pai, o costume era esse, tomar a benção. Foi batizado por ele, e quase todos os seus irmãos quase todos, e mesmo residindo fora trouxe seu filho para o Padre Santos batizar.

“Ele era um ótimo pastor, um ótimo pregador de Jesus Cristo e Nossa Senhora como poucos, tinha um poder de oratório muito aprimorado, e tinha aquele tom de voz muito grave tinha o abito de gritar, elevar a voz, enfim, falar com ênfase nos seus pronunciamentos. E ele tinha o abito também de muitas vezes interferir na vida pessoal das famílias, e as famílias aceitavam dessa forma. O que nos ensinavam era a obediência ao que o Padre dissesse.”

Em seguida perguntei mais uma vez, se acha que isso foi importante, ou considera que não deveria ter sido assim?

“Existiu o ponto positivo, que foi o ensinamento de respeito, mas também tinha o lado negativo pois ele interferia em tudo, inclusive tinha “lado” político, sempre assumia seu posicionamento, e era ativo nas épocas de campanha.” Tem muitas histórias sobre ele…rsrs 

 

Momentos marcantes

“Sinto saudades do macarrão caseiro da Nona Joana aos domingos, da polenta com queijo frito da minha mãe, meu prato preferido. Das brincadeiras com meus irmãos e amigos, descendo morros nos esconsos dos pastos, navegando em “canoas” de coqueiros.” Dos patinetes fabricados por nós mesmos, dos divertimentos da época usando brinquedos muito simples mas divertidos.

“No futebol, meu hobby preferido, minha época de ouro, dos 16, aos 19 anos jogando ao lado de craques como Forote (Alvari) Bussolo, Ze Bonadeu, Dodô Longo, Ze Dalmagro, Tita, Jacinto Brghentti Ademir Bratti, Valmir Bratti, Luizão Bratti, meus irmãos Mario e Lourenil, Paladine Bussolo entre tantos outros.”

“Fui atleta de Futsal no time vencedor do Seminário onde participei de grandes jornadas. Do Seminário São José me marcaram pra sempre as lembranças do Frater Geraldo, padre João, Irmão Geraldo, este um verdadeiro pai para nós, meninos nos anos 1960.”

“Nas jornadas de Domingos, jogando no time do Ranchinho E C, lembro que íamos na carroçaria dos caminhões e muitas vezes, principalmente no Barracão e Rio Pinheiros era perder para não apanhar. rsrs ..Como nunca gostei de perder, fazia os meus gols e quando o juiz apitava o final do jogo eu saia na corrida e subia rápido na carroçaria do caminhão.”

 

Saída de Orleans

Aos 20 anos a convite do seu irmão mais velho, que lá já residia, deixou Orleans para ir trabalhar em Joinville.

“Nossa família de 10 irmãos precisava buscar espaços para todos, então nos espalhamos buscando construir nossas histórias de vida.”

Em Joinville, morou em pensão, “ralou” um pouco, mas afirma que graças à Deus sempre teve boas oportunidades de trabalho. Casou-se aos 22 anos e também aos 22, assumiu a primeira gerência de Supermercado, função que exerceu por 12 anos até iniciar a carreira de Representante Comercial, atividade que exerce atualmente. Tem um casal de filhos, o Juliano e Gisele e já com três netos, Juliano Filho, Bruna e Nagila, deixa correr o sorriso em falar sobre eles.

 

Vida Empreendedora

Sempre trabalhou com representações, a partir de 1981 quando foi para Jaraguá do Sul, viajou por vários lugares por todo o país  como Gerente de Vendas e de lá pra cá não saiu mais do ramo de representação. Trabalhou no comércio de modo geral e foi gerente de supermercado. Atualmente faz representação de uma empresa de telhas ecológicas do município de São Ludgero, onde afirma estar satisfeito.

“Tive muitas oportunidades de cursos motivacionais, profissionalizantes, gerência de venda, sucesso em negociações e por ai vai”.

Tem um extenso currículo para o mercado da época e atual.

 

Política

Em meio a conversa eu não poderia deixar de perguntar o que se tem falado por ai, “O seu Jaci Zomer é Pré-candidato a vereador!”. Logo ele responde com tranquilida:

“Coloquei meu nome à disposição, comuniquei minha família que estaria aceitando o convite para ser pré-candidato, e a intenção é real, pelo partido PL, partido do amigo Padilha , com quem frequentemente participo como convidado em um programa de rádio. Mas é claro, por enquanto somos todos pré-candidatos, e se não houver nada que impeça por motivo pessoal, irei em frente.” Quero deixar registrado que o grupo que forma a coligação que atualmente administra o município, me abriu as portas também e à eles sou muito grato e tenho profunda admiração.

“Tenho um sentimento de dívida de gratidão por Orleans. Meus irmãos ficaram por aqui, trabalharam muito, meus pais ficaram aqui, e eu bem jovem me afastei por um período e lá fora o sentimento sempre foi de querer voltar pra cá, sempre me questionava se eu tivesse ficado em Orleans como teria sido.”

 

O retorno

Seu Jaci explica que quando estando com a vida toda resolvida lá fora, sentiu a certeza e o desejo de que era a hora de retornar.

“Voltei para a minha terra natal há quatro anos e o meu maior desejo hoje em dia é dedicar o meu tempo à comunidade de Orleans, pois penso que a vida só vale a pena quando participamos ativamente na comunidade que vivemos. Foi onde comecei a me enturmar com amigos antigos e novos.”

Afirma que ficou muito feliz por ver o progresso de Orleans, o povo acolhedor e educado, a cidade cada dia mais limpa e bonita, com algumas exceções, o que é natural.

“Sou muito grato aos meus conterrâneos que fizeram de Orleans este progressista município, o pujante Comércio, Indústrias importantes, o interior do município sendo preservado mas produzindo muitas riquezas. O complexo Unibave /Museu /Seminário é admirável, tornando-se verdadeira atração turística para quem nos visita. A meu ver deve ser sempre muito prestigiado por toda a nossa população e autoridades. Reconheço com toda isenção que a Administração Municipal atual está desenvolvendo um ótimo  trabalho. Onde fosse que estivesse residindo, sempre mostrei orgulho por ser de Orleans , enchia a boca para pronunciar o nome da minha cidade e quando alguém falava que não conhecia Orleans eu fazia cara de espanto e não poupava elogios à minha amada terra.

 

Fim

De um “coloninho” lá do interior, na Serraria, seu Jaci Zomer seguiu o caminho que a vida lhe impôs, e apesar dos pesares mostra que ninguém consegue ‘não amar’ essa terra. Retornou para suas raízes no momento certo, e hoje colhe a felicidade de viver uma vida tranquila admirando àquilo que faz parte da sua família e sua história há mais de uma centena de anos. Em meio à conversa, as lágrimas foram recíprocas entre este entrevistador e o entrevistado. Essa é mais uma história de vida que marcou o município de Orleans.

“Encerro agradecendo ao Canal do Sul a oportunidade de poder expressar aqui todo o sentimento , o carinho, o amor que sente pela sua terra e sua gente, um orleanense que perto ou distante, sempre sonhou fazer um pouco mais pelos seus conterrâneos.” Finaliza Jaci Zomer

Luan Schmitz | JP6500SC | Canal do Sul

Slider