O sertão dos bugres bravos | Por Robson Lunardi

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Crônica de final de semana

Quem não viveu sem energia elétrica dentro de casa, não sabe o que é passar trabalho. Antes sim. Não é impossível enxergar o medo que passaram nossos antigos quando vieram aqui para esses grotões. A família ali, isolada no meio da floresta. Só longe o cantar do galo do vizinho na noite velha. Medo de cobras, de tigres e bichos. Medo!!! Medo da doença. Medo da fome. Medo de comer uma fruta do mato. E se fosse veneno? E os índios? Medo de índio era tanto que bem no começo, o nome daqui era ‘Sertão dos Bugres Brabos”. Eram, canibais! Mortais mesmo!!! Os gazozeiros contavam um causo: “Luiz Pizolatti com 14 anos trabalhava para os Pinter, no transporte de cargueiros junto com o negro Fábio. Numa viagem levando entregas para o Grão Pará, chegando no Rio Cachorrinhos perto de onde moravam os Kunz, notaram que a polacada estava alvoraçada, falando muito e gesticulando com armas na mão. Tinham pistolas, uma surda, uma pica-pau carregada pela boca, uns espadões compridos e até uma carabina de longo alcance. Os polacos só falavam polonês e nada entendiam nossos viajantes. Mas aos poucos, conseguiram assuntar que os índios tinham matado uma polaquinha que levava boia na roça. Mataram-na e tiraram tudo, também a roupa. Nossos viajantes passaram a tremer igual a vara verde. O negrão então disse: ‘Luiz, vamos embora daqui porque tenho medo de bugre. Dizem que quando pegam um preto, esfregam, esfregam, até tirar o couro para ver se branqueia’. Deram de espora nos matungos e voltaram a galope para o Rio Pinheiros”. Quanto aos poloneses, houve uma debandada quase geral da colônia.

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